Síndrome Metabólica - Uma Doença do Nosso Século
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Desde o século XX que existem relatos científicos de Síndrome Metabólica (SM), tendo a sua definição sofrido diversas alterações ao longo dos anos. Inicialmente identificada como uma associação de fatores comuns ao desenvolvimento de diabetes e hipertensão arterial, na década de sessenta foi identificada como uma “síndrome plurimetabólica”, integrando patologias como a obesidade, a diabetes, a dislipidemia, a hipertensão e a doença coronária.
Independentemente da escola ou do fator realçado pelos diversos autores, atualmente aceita-se a definição de que a SM consiste numa associação de fatores de risco de origem metabólica, incluindo a obesidade abdominal, a hipertensão arterial, dislipidemia aterogénica, resistência à insulina, diabetes tipo 2 e outras alterações metabólicas conducentes a um aumento de risco de doenças cardiovasculares ateroescleróticas.
A prevalência de SM tem aumentado globalmente, estimando-se que cerca de 20-25% da população mundial seja portadora desta síndrome. Antigamente, uma patologia exclusiva do adulto, hoje em dia, estudos científicos confirmam o seu aumento em crianças e adolescentes. Este fato deve-se em parte a uma interação entre estilos de vida sedentários, estilo e padrão alimentar e à obesidade infanto-juvenil que tem vindo a aumentar com o ambiente intra-uterino e fatores genéticos que podem contribuir para o seu desenvolvimento.
Patogénese
Como foi mencionado anteriormente, a patogénese da SM é muito complicada de definir. Contudo existem três potenciais situações etiológicas:
- Obesidade: Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade é definida como uma patologia do foro nutricional, caracterizada pela acumulação excessiva de gordura, contribuindo para o desenvolvimento de problemas de saúde. Ou seja, este excesso de gordura corporal é resultado de sucessivos balanços energéticos positivos, em que a quantidade de energia ingerida é superior à quantidade de energia dispensada. Deste modo, através de vários fatores complexos como os fatores genéticos, metabólicos, ambientais e comportamentais, este desequilíbrio tende a perpetuar-se no tempo e, assim, converter-se numa doença crónica. Estando instaurado o quadro de obesidade, o indivíduo apresenta uma maior suscetibilidade de risco aumentado de diagnóstico de outras patologias como consequência desta, tais como a Diabetes Mellitus tipo 2, Doenças Cardiovasculares, Hipertensão Arterial, Hiperuricemia, Deficiências respiratórias como asma, Problemas articulares, Apneia obstrutiva do sono, Dislipidemias, entre outras.
- Insulino Resistência: consiste numa deficiente resposta glicémica aos níveis normais de insulina circulante, encontrando-se sobretudo em pessoas com obesidade e/ou diabetes. Com o aumento de massa gorda, verifica-se um agravamento da resistência à insulina. Deste modo, indivíduos obesos têm maior propensão para sofrer de hiperinsulinemia pós-prandial e baixa sensibilidade à insulina.
- Fatores Independentes: estado pró-inflamatório, envelhecimento, mediadores metabólicos, alterações hormonais, entre outros.
Critérios de diagnóstico
Os critérios de diagnóstico demonstram-se complicados de definir, uma vez que a patogénese de SM é também ela complexa. Contudo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu um consenso quanto ao seu diagnóstico designando critérios a serem seguidos, entre eles:
- Insulino-resistência e/ou alteração da regulação de glicose sanguínea (glicemia em jejum≥110mg/dl e/ou glicémia 2 horas pós-sobrecarga <140mg/dl).
Associado a dois ou mais dos seguintes fatores:
1. Hipertensão Arterial (tensão arterial sistólica ≥140mmHg e/ou tensão arterial diastólica ≥90mmHG);
2. Hipertrigliceridemia (triglicerídeos plasmáticos >150mg/dl) e/ou HDL baixa (HDL colesterol < 35mg/dl para os homens ou < 39mg/dl para as mulheres);
3. Obesidade abdominal (quociente de perímetros cintura/anca >0,9 para os homens ou > 0,85 para as mulheres e ou IMC>30Kg/m2);
4. Microalbuminúria (excreção urinária de albumina >20 mg/minuto ou quociente albumina/creatina > 30 mg/Kg);
Em 2005, estes critérios foram revistos e atualizados, considerando-se 3 ou mais dos seguintes elementos:
- Perímetro da cintura (≥102cm para homens e ≥88cm para as mulheres);
- Triglicerídeos ≥150mg/dl ou em tratamento;
- HDL <40mg/dl ou em tratamento no sexo masculino e <50mg/dl ou em tratamento para o sexo feminino;
- Tensão arterial sistólica ≥130 ou diastólica ≥85mmHg ou em tratamento;
- Glicemia plasmática em jejum≥100mg/dl ou em tratamento.
Tratamento
O único tratamento instaurado é prevenir ou tratar um ou mais fatores que propiciam o desenvolvimento da Síndrome Metabólica. Por exemplo, ao tratarmos um estado de obesidade estaremos a prevenir o desenvolvimento de diabetes tipo 2, resistência à insulina, dislipidemias, hipertensão, entre outras doenças que estão associadas.
Para isso, há que corrigir os hábitos alimentares, fornecendo um aporte energético e nutricional adequado, de modo a atingir os principais objetivos de intervenção dietética. Sendo assim, o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis associados a estilos de vida, também eles saudáveis, serão fundamentais. Logo, a integração de planos alimentares personalizados, a reeducação alimentar com a atividade física diária, será importantíssimo para a perda ponderal e melhoria dos fatores de risco cardiovasculares e metabólicos presentes na SM.
NOTA: Para mais informações poderá consultar o site da DGS ou da Organização Mundial de Saúde.
Ana Vaz – Nutricionista
Biografia da colaboradora (ver aqui)
Consultas de Nutrição e Consultoria Nutricional
Membro da Ordem dos Nutricionistas (nº 0212N)
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Referencias: L. Kathleen Mahan MS RD CDE, Sylvia Escott-Stump MA RD LDN. Krause’s Food & Nutrition Therapy. Saunders; 12 edition (June 15, 2008). ISBN-13: 978-1416067122
Sumati R. Mudambi M. Sc. MS Ph.D, M.V. Rajagopal M.Sc Ph.D F.I.F.S.T. Fundamentals of Foods, Nutrition and Diet Therapy. New Age International Pvt Ltd Publishers; 5th edition (December 1, 2008). ISBN-13: 978-8122419825



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