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O Tamanho (afinal) Importa

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O aumento progressivo do volume da próstata é um fenómeno natural e, na maioria dos casos, não constitui um problema grave. Contudo, a partir de uma certa idade, esta hipertrofia pode originar distúrbios urinários ou algo bem mais grave.

Veja o que tem de fazer e evite ao máximo que isso lhe aconteça


O que é, onde está e para que serve?
Todos nós falamos da próstata ou, pelo menos, já ouvimos falar dela, mas nem todos sabemos o que é e nem para o que serve. Apesar de ser mais conhecida pelas suas doenças do que propriamente pela sua função, a próstata é uma glândula do aparelho reprodutor masculino que tem como função segregar líquidos que contribuem para o esperma, sendo importante para a fertilidade, sem estar directamente relacionada com a actividade sexual. Como está localizada logo abaixo da bexiga, envolve a uretra na sua parte inicial e se situa à frente do recto, eis a razão pela qual é palpável pelo toque rectal. Mas calma, ainda é cedo para se assustar…


A importância do tamanho

Quando temos 16 anos, a próstata é pouco maior do que uma pequena noz, mas à medida que vamos envelhecendo o aumento da próstata acompanha todas as nossas alterações e, quando chegamos aos 80 anos, pode atingir a forma e o volume de uma laranja. No entanto, o aumento do volume raramente acontece antes dos 50 anos, mas depois dos 70 a maioria dos homens tem a próstata aumentada.
 Este aumento de volume, ou Hipertrofia Benigna da Próstata (HBP), é variável de homem para homem e a possibilidade do crescimento provocar distúrbios depende sempre da forma como ele se processa.


Os incómodos distúrbios
A bexiga é um reservatório, com um músculo cuja função é esvaziar a urina. À medida que se vai instalando a obstrução, o músculo da bexiga pode tornar-se mais forte para (tentar) vencer a resistência da uretra prostática. A partir de certa altura o músculo da bexiga pode entrar em falência e a bexiga deixa de conseguir esvaziar-se na sua totalidade. Uma vez que a próstata envolve a uretra na sua porção inicial, logo abaixo da bexiga, “ao crescer comprime a uretra e dificulta o fluxo urinário. Grande parte dos sintomas não se devem à obstrução propriamente dita – que é responsável por sintomas como o jacto urinário mais fraco, o que leva a uma micção mais prolongada – mas sim a alterações secundárias da bexiga, que são consequência da obstrução crónica”, explica o Dr. José Manuel Palma dos Reis, urologista e chefe de serviço de Urologia do CHLN (Hospital Pulido Valente + Hospital Santa Maria). Um exemplo destes sintomas é “a imperiosidade miccional, ou seja, quando se tem vontade de urinar e temos de o fazer quase imediatamente e inúmeras vezes, o que pode culminar na chamada incontinência, ou imperiosidade de urgência, quando o doente não consegue mesmo controlar a vontade e urina sem querer”, refere o urologista.


O perigo está à espreita?

Como o próprio nome indica, a HBP é uma situação benigna. No entanto, como em muitas outras situações na medicina, “uma situação de natureza benigna pode, por vezes, causar complicações que podem ameaçar a vida”, alerta o Dr. Palma dos Reis. No caso da HBP, uma das complicações que ocorre “é a chamada insuficiência renal por uropatia obstrutiva baixa. Explicado de forma simples: a resistência ao esvaziamento é tão grande que os rins deixam de conseguir funcionar, ficando extremamente dilatados com a urina que não consegue ser excretada. Esta complicação pode ser responsável por insuficiência renal irreversível com necessidade de hemodiálise ou mesmo pela morte”, explica o urologista.

Que tal pensar em consultar o seu médico?


Previna-se o quanto antes…
… e evite as estatísticas: em Portugal, o cancro na próstata é o segundo tipo de cancro mais frequente no homem. De acordo com o estudo da Associação Portuguesa de Urologia, morrem anualmente 1.800 portugueses com cancro na próstata, o que corresponde a cinco casos mortais por dia. Quer a Associação Europeia de Urologia, quer a Associação Americana de Urologia, quer a Associação Portuguesa de Urologia recomendam que todos os homens com mais de 50 anos devem vigiar a sua próstata uma vez por ano e, se tiver familiares com cancro na próstata, deve iniciar a sua vigilância a partir dos 45 anos. Em Portugal surgem, anualmente, 4.000 novos casos e compete-lhe a si não fazer parte destas estatísticas.


Informe-se cada vez mais:
Associação Portuguesa de Urologia
Telefone: 213 243 590
Site: www.apurologia.pt
E-mail: apurologia@mail.telepac.pt


A primeira consulta
O mais típico, no que diz respeito às doenças da próstata, é revelarem-se por volta dos 50 anos, embora por vezes possa ocorrer antes, “principalmente se existir história familiar de cancro na próstata”, alerta o Dr. Palma dos Reis. Mas não sofra por antecipação. Antes de consultar o seu médico, saiba que a HBP em si "é um fenómeno tão normal como os cabelos ficarem brancos ou caírem. Não há, portanto, uma prevenção muito específica da HBP. O que pode e deve é prevenir as complicações deste fenómeno normal, muitas vezes por tratamento médico, e, sobretudo, detectar a tempo estas possíveis complicações para que não provoquem danos irreversíveis”, aconselha. Lembre-se, mesmo que os sintomas sejam pouco incómodos (ou nenhuns) é sempre aconselhável consultar um médico para verificar se se trata efectivamente de uma HBP. Existem vários métodos, “mas o mais simples, e que deve ser logo o inicial, passa pela simples palpação da próstata através do toque rectal.


O crescimento da próstata é normalmente lento e é raro acontecer antes dos 50 anos, por isso não descure a vigilância activa

Os tumores da próstata têm habitualmente uma consistência muito mais dura, diferente da consistência da próstata normal”, indica o urologista. Evidentemente que existem outros meios com maior sensibilidade, “como o doseamento do PSA no sangue, mas que devem sem feitos em complemento com o exame inicial da palpação. Os restantes exames, como a ecografia próstática, são feitos apenas quando necessários”.


O tratamento
Em primeiro lugar, “nem todas as situações necessitam de tratamento. Perante um homem com um pequeno aumento da próstata e sem sintomas não há necessidade de iniciar qualquer tratamento”, revela o Dr. Palma dos Reis. Já num doente sintomático, ou que se considere necessário prevenir possíveis complicações do processo, “normalmente opta-se por terapêutica médica (medicamentos). Os medicamentos para esta patologia, como para outras, têm evoluído bastante e permitiram diminuir de forma significativa o número de casos a necessitar de cirurgia”, acrescenta. Contudo, “quando o tratamento com medicamentos não é eficaz, a cirurgia é mesmo a melhor alternativa”. O princípio básico é o mesmo, ou seja, “retirar o tecido prostático que cresceu e que comprime a uretra. Pode ser feito por cirurgia aberta, que hoje em dia se destina apenas aos casos em que a próstata cresceu para volumes muito elevados ou, muito mais frequentemente, através de cirurgia endoscópica – cirurgia feita através da uretra (por isso também chamada de transuretral). No entanto, pode ser utilizado outro meio para conseguir os mesmos fins, como por exemplo a vaporização com laser, que apresenta a desvantagem de ser mais cara e um pouco mais morosa”, explica.


Alimentação como forma de prevenção
Não é novidade nenhuma que ao melhorar a sua alimentação, assume o controlo sobre a sua saúde, mas estudos mais recentes apontam para uma ligação directa entre o tipo de alimentação e o aparecimento do cancro da próstata. No caso da vitamina E, um potente antioxidante, “os estudos demonstraram que houve uma redução de 30 por cento dos tumores malignos num grupo de homens que consumiam esta vitamina, quando comparado com um grupo que não o fazia”, refere Jorge Oliveira, urologista do InstitutoCuf - Diagnóstico e Tratamento. Por outro lado, “os licopenos, substâncias derivadas da vitamina A, existentes em alimentos como o tomate e outros produtos alimentares seus derivados, parecem ter a capacidade de ‘matar’ as células cancerosas prostáticas, impedindo deste modo o desenvolvimento do tumor”. Como se não bastasse, “o selénio que se encontra em muitas sementes, peixes, carnes de aves, ovos, e que é um mineral essencial para o metabolismo da tiróide e sistema imunitário também é conhecido pelas suas actividades como antioxidante e, como tal, anticancerígenas”, relembra o médico. Precisa de mais motivos para não descurar a sua alimentação? Lembre-se: a sua saúde deve ser sempre a sua prioridade!


Quando o pior acontece...
Cancro na próstata
Dados resultantes de um inquérito conduzido pela Associação Portuguesa de Urologia, revelam que três em cada quatro homens portugueses com mais de 50 anos já consultaram o médico por causa da próstata. No entanto, o mesmo inquérito adianta que mais de 30% dos homens portugueses com mais de 50 anos afirma nunca ter consultado o médico para realizar a análise sanguínea PSA (Prostatic Specific Antigen) de despiste ao cancro na próstata. O cancro é um tumor maligno, ou seja, existe um crescimento de células anormais na próstata que têm a possibilidade de se espalharem pelos vasos sanguíneos ou linfáticos e crescer e provocar mais estragos noutras áreas do seu organismo. É esta capacidade de metastizar, isto é, de disseminar, que caracteriza o cancro e que pode levar à morte. No caso da próstata, como o crescimento é normalmente lento e raramente acontece antes dos 50 anos, não descure a chamada vigilância activa (active surveillance) que consiste em manter o doente sob vigilância, repetindo periodicamente os níveis de PSA para detectar qualquer subida destes índices.


A terrível certeza
Nas idades mais avançadas, este cancro é frequente, embora nem sempre seja sinónimo de problemas. “Habitualmente, o cancro na próstata na fase inicial é perfeitamente assintomático: quando existe sintomatologia associada ao tumor da próstata significa que já existe doença em fase avançada, isto é, uma doença localmente avançada (extensão aos órgãos vizinhos) ou doença metastizada (doença à distância)”, explica o Dr. António Romão, assistente hospitalar de Urologia, do CHLN, Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Esta disseminação da doença “está directamente relacionada com o tempo de evolução da mesma e com a agressividade do tumor em questão, daí a importância de um diagnóstico precoce que o possa detectar nas formas menos agressivas, situação em que o prognóstico é bom”, adianta o especialista.


Três opções de tratamento
Quando localizado, e ainda confinado à próstata, o carcinoma é passível de tratamento e, de acordo com o Dr. António Romão existem três formas: “Cirurgia (prostatectomia radical “clássica”, laparoscópica ou robótica), que consiste em remover cirurgicamente a próstata; Radioterapia externa, feita em ambulatório ao longo de alguns meses; ou a Braquiterapia, que consiste em implantar “sementes” radioactivas que irão destruir o tumor”. Os resultados em matéria de cura são idênticos, mas as consequências do tratamento diferem entre si, uma vez que “a radioterapia externa tem maiores efeitos secundários que a braquiterapia”, alerta o urologista. “A morbilidade pode incluir disfunção eréctil, incontinência urinária, hematuria (sangue na urina) e ainda lesões na bexiga e no recto”. Contudo, com novas técnicas de radioterapia, “nomeadamente a braquiterapia, que limita bastante a área sujeita aos efeitos da radiação, é possível diminuir consideravelmente os efeitos secundários do tratamento”, indica.


Não perca a esperança!
Apesar de o cancro na próstata ser algo muito frequente, lembre-se que actualmente existem inúmeras alternativas terapêuticas, mesmo nas fases mais avançadas da doença, que lhe permitem encarar o tema com uma preocupação mais controlada e olhar para o futuro com esperança. As doenças na próstata ainda não são evitáveis, mas hoje em dia um diagnóstico precoce permite um tratamento eficaz, o qual lhe pode salvar a vida ou prevenir graves complicações.


Um caso de sucesso
Fernando Quental, actualmente com 57 anos, após uma desconfiança por parte do seu médico, recebeu a desagradável confirmação de que tinha cancro na próstata. Depois do tratamento, venceu o cancro, a sua vida retomou a normalidade e agora dá-lhe o exemplo na Men’s Health:


Em que altura da sua vida descobriu que tinha esta doença?
Na altura tinha 50 anos.

A que tipo de tratamento se submeteu?
Operação cirúrgica para a retirada do tumor e, posteriormente, radioterapia.

Quanto tempo durou o tratamento?
A radioterapia teve 35 sessões ao longo de várias semanas.

Quais os efeitos secundários que mais o preocuparam?
Os problemas gástricos que já possuía e que vieram a ser acentuados pela radioterapia.

Quanto tempo demorou até começar a sentir efeitos positivos?
Posso dizer que foi de imediato, pois, na verdade, nunca cheguei a sentir-me doente.

De que forma se manteve “positivista” para superar todo o processo?
O apoio dos amigos e, principalmente, da família é muito importante neste processo, mas, acima disso, está o pensamento positivo que vem de nós próprios. Sempre me senti bem e optimista e, para tal, muito contribuiu o papel do médico, que desde o início me tranquilizou informando-me sobre as altas probabilidades de cura para o cancro.

Prevenir é mesmo a melhor solução? O que aconselha?
Sim. É preciso conhecer os sintomas e fazer exames de rotina duas vezes por ano após os 45 anos.

Que conselhos dá a quem tem de passar pela mesma situação?
Encarar a doença com naturalidade e optimismo sem se deixar afectar negativamente, pois há cura, especialmente quando é detectado de forma precoce.

 

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Faça o seu comentário

Alberto Martins on 12/01/2012 08:36:49
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Tenho uma prostatite Crónica,e acho que este tipo de artigos são muito importantes para melhor exclarecimento das pessoas que teem estes problemas,muito obrigado por isso!
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Alberto Martins on 12/01/2012 08:46:47
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para acrescentar ao longo de 8 anos tenho andado com volores do P.S.A que variam entre os 10,45 e o ultimo valor de 19,3 já fiz 5 biópsias próstaticas e numca acusou nada de expecifico,dia 18 veremos o ultimo resultado da biópsia , Deus queira que corra bem!
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