SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL
O que é Síndrome do Intestino Irritável (SII)?
- É uma alteração gastrointestinal funcional. Diz-se alteração "funcional" quando o paciente apresenta sintomas dos quais não se encontra uma causa, enquanto que as doença "orgânicas" – como as colites ulcerativas – definem-se claras lesões estruturais.
Quais os principais sintomas da SII?
- Os principais sintomas são dor/mal estar abdominais intermitentes e crônicos, assim como alterações da função intestinal. Esta pode manifestar-se como constipação, diarréia ou ambos e o conjunto de pacientes respectivamente acometidos por estas variantes – SII com predomínio de constipação, SII com predomínio de diarréia, ou um quadro alternante entre ambos – são aproximadamente iguais.
Com qual freqüência apresenta-se a SII e quais os pacientes que sofrem desta doença?
- A SII é muito comum e afeta 15-20% da população ocidental . No entanto, não se limita ao ocidente e, quando se faz levantamentos na Ásia e na África, a SCI também parece constituir-se em uma queixa freqüente.
- Esta síndrome acomete homens e mulheres, e parece ocorrer em dobro nas mulheres. No entanto, pode ser reflexo da conhecida tendência das mulheres procurarem mais a orientação médica que os homens. Também têm um papel importante os fatores sociais e culturais, pois estudos realizados em um subcontinente Indiano sugerem que a SII é muito mais comum nos homens. A SCI com predomínio de constipação é, contudo, mais freqüente nas mulheres .
- Os sintomas da SII instalam-se gradualmente no final da adolescência ou princípio da idade adulta: a idade média de início é entre 20 e 29 anos.
- A prevalência da SII aumenta com a idade, alcançando um máximo aos 45-65 anos e diminuindo posteriormente. A SII é também comum nas crianças e adolescentes, em particular entre as meninas com história de dor abdominal recorrente.
Como a SII compromete a vida das pessoas?
- A SII pode ser uma condição bastante debilitante que impõe grandes restrições à vida do paciente. Em alguns, a SII pode ter um impacto importante em sua capacidade laborativa e na vida normal, tanto familiar, como social. Não há de se surpreender que a timidez e a ansiedade de alguns pacientes por causa de seus sintomas da SII fazem com que evitem muitas atividades e isolamento social.
- O paciente demora a falar de sua SII e a admitir que sofre de seus sintomas perante o médico, e até é possível que fique em silêncio por muitos anos antes de procurar ajuda ou conselho.
Qual o impacto econômico da SII?
- A SII representa uma considerável carga sobre os recursos de saúde, mesmo que até 2/3 dos que sofrem dessa patologia não procurem orientação médica . A SII e os problemos correlatos representam uma parte importante da carga de trabalho dos médicos de assistência primária e, no Reino Unido, tem-se informado que aproximadamente ¼ dos pacientes que são encaminhados aos gastroenterologistas possuem SII .
-Não se dispõe de dados dos países europeus ou da América Latina, porém nos EUA estima-se que a SII custe ao Serviço de Saúde um gasto de pelo menos US$ 8 bilhões por ano. Esta cifra compreende somente os gastos clínicos directos e não incluem os destinados aos medicamentos, automedicação ou atenção doméstica. Por consegüinte, o custo real da SII – incluindo os custos indiretos por perda de salário/produtividade – seria muito mais elevado.
- Os dados obtidos nos EUA sugerem que a SII é a segunda causa mais freqüente de afastamento por doença, depois do resfriado comum .
Quais são os mecanismos que causam os sintomas da SII?
Podem estar envolvidos vários fatores:
- Alteração da motilidade intestinal, em particular a motilidade colônica. Uma teoria explica que os "movimentos de massa" – contrações que aparecem de uma a três vezes por dia para expulsar o material fecal – podem provocar espasmos, causadores por sua vez, da dor abdominal, constipação ou diarréia.
- Hipersensibilidade visceral (hipersensibilidade dos órgãos abdominais). Os pacientes com SII são mais sensíveis a distensão intestinal provocada pelos gases formados pela digestão após ingestão de alimentos ricos em gordura e fibra e em momentos de estresse. Este quadro aparece em aproximadamente 2/3 dos pacientes, em particular naqueles que sofrem de diarréia. As mudanças nos mecanismos periféricos ou centrais da sensação de dor podem ser os responsáveis.
- Inadaptação. O tônus intestinal e sua capacidade para adaptar-se à pressão do seu conteúdo afetam a sensibilidade visceral .
- Inflamação intestinal local. Tem-se sugerido que a infecção intestinal pode ser um dos fatores causais da SII e em 30% das pessoas que apresentam SII depois de uma gastroenterite intensa, acredita-se que pode ser um fator desencadeante .
O que desencadeia os sintomas da SII?
- Nos pacientes com SII a função intestinal potencialmente anormal está sempre presente, que são mais sensíveis e reativos a uma série de estímulos que não afetariam as pessoas normais. Os desencadeantes da sintomatologia da SII mais comuns são a dieta/estilo de vida e o estresse emocional.
- Os alimentos que podem alterar a função intestinal em pessoas susceptíveis são o chocolate, os derivados lácteos, os produtos com sorbitol como adoçante, o álcool, as gorduras e certos vegetais com feijão e ervilhas. Também alguns fármacos podem alterar a função intestinal, por exemplo, os opiáceos (presentes nos analgésicos, antitussígenos), os bloqueadores de canal de cálcio, os antidepressivos tricíclicos e o carbonato de cálcio.
- Também os hormônios sexuais podem desencadear a SII: em um estudo, aproximadamente 50% das mulheres com SII sofrem uma agudização perimenstrual dos sintomas . Pode-se guardar relação com a redução do tônus muscular do cólon mediado pela progesterona.
- O estresse e os transtornos psicológicos, por exemplo, ansiedade, pânico, depressão, abuso de substâncias, alterações alimentares, podem desencadear ou exacerbar a sintomatologia da SII.
A SII é um distúrbio psicossomático?
- Embora – como ocorre com todos os transtornos funcionais – não se possa determinar uma causa física, a SII não é certamente "algo imaginário". Os pacientes apresentam sinais mensuráveis e visíveis, como a função intestinal alterada e distensão abdominal, e sua dor e mal estar não são de maneira alguma imaginários. Entretanto, a associação entre transtornos gastrointestinais funcionais e fatores psicológicos é complexa, e os estudos em pacientes com SII que recorrem a assistência médica revelam graus de neurose superior aos que não apresentam.
- A incidência de transtornos psicológicos, como ansiedade, fobia, somatização e paranóia é maior nos pacientes com SII (aproximadamente em 50% em relação aos 15% da população geral). As situações estressantes e o estilo de vida podem piorar os sintomas . Entretanto, é provável que os transtornos psicológicos como a ansiedade e a depressão sejam reações perante a presença de uma enfermidade crônica e incapacitante, mais que fatores causais.
Como se diagnostica a SII?
- Apesar de sua grande prevalência, a SII diagnostica-se e trata-se muito pouco, entretanto deve-se em parte aos pacientes que não procuram orientação médica, por vergonha ou por pensar que o problema é demasiadamente banal para incomodar o médico, e também por medo que seus sintomas sejam sinal de algo grave.
- O diagnóstico é difícil e é estabelecido descartando-se outros possíveis transtornos (por exemplo, colite ulcerativa, enfermidade de Crohn ou alterações inflamatórias do intestino) . Entretanto, o diagnóstico de SII deve se basear também na história do paciente, quadro sintomático e resultados de exames cuidadosamente selecionados.
Como se trata a SII?
- O tratamento do paciente com SII pode implicar na atividade de educação e reafirmação pessoal, conselhos dietéticos e do estilo de vida, terapia psicológica e tratamento medicamentoso.
- São muitas as pessoas que não procuram orientação médica e toleram os sintomas, tentando modificar a dieta e/ou mediante automedicação com produtos de "venda sem receita"ou outras terapias.
- As mudanças na dieta podem ajudar, particularmente nos caso dos alimentos ou bebidas que se tem demonstrado que pioram os sintomas, mas as evidências científicas do papel da dieta no tratamento da SII são pequenas.
- Um terço dos pacientes procura terapias alternativas ou complementares, e mesmo que hoje se disponha de poucas informações para recomendá-las na SCI, alguns médicos podem usá-las aproveitando a grande resposta placebo observada com qualquer tratamento da SII.
Mais informações:
Dra. Eloiza Quintela
Médica Gastro- hepatologista especialista no tratamento das doenças do fígado
Membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia
Contatos: 011-3747-3018 ou 5052-1087
http://w www.doencasdofigado.com.br/
Biografia da colaboradora (ver aqui)
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